sexta-feira, 13 de abril de 2012


PROCURA-SE HUMANOS!


Humanos que sintam livremente, que fujam da linha pontilhada, que recusem as ofertas já calculadas. Humanos. O toque, o cheiro, o tom, a voz, a cor... Humanos que não sejam robôs! Humanos. A pele, os olhos, o abraço, o sorriso, o sabor, a paixão, a dor. E, por favor, que a dor não nos seja indiferente jamais.


Escrevo na aula do pré-vestibular, onde sou estimulada a pensar que meu maior objetivo de vida é passar nesta prova. Aqui, ensina-se tudo sobre células e átomos, mas muito pouco - ou nada - se fala sobre cidadania. Nada se fala sobre a fome. Nada se fala sobre o amor (e todos os estragos que esta força - ou a falta dela - pode causar). Nada se fala sobre a amplitude do ser humano.
Hoje eu ouvi, na aula de História do Brasil, que a agricultura de PLANTATION só pôde se desenvolver devido à mão-de-obra escrava. Primeiro, dos índios brasileiros; depois, dos negros africanos. E pronto. Fim de conversa. Então é isso? Tão simples assim? Tantas pessoas privadas de sua liberdade, sendo presas e maltratadas ao longo da história (gente da nossa gente!!!) e tudo o que nós precisamos decorar para a prova é que a agricultura de PLANTATION se desenvolveu através da mão-de-obra escrava. Só isso. Matéria aprendida. 
Mas a verdade, gente, a verdade mesmo é que o que realmente importa na vida não se aprende na escola. A escola não nos ensina a nos posicionarmos diante da fome, da miséria, da doença, da solidão, da angústia, da perda, da paixão... A escola não nos ensina a buscar forças lá no fundo da nossa alma (num canto que a gente nem sabia existir!) para sair do fundo do poço e seguir em frente. A escola não nos diz qual é a resposta certa que devemos dar quando alguém que não tem nada nos vê em nossa típica aparência burguesa e pergunta: "Você tem algum dinheiro?" ou quando um cego de nascença pergunta: "O que é branco?" ou quando um condenado à morte pergunta, em seu leito: "Por que isso está acontecendo comigo?". Essas são questões que não caem no vestibular, mas a vida se encarrega de cobrá-las cruelmente. 
É nesse contexto, de frieza, conformismo e submissão, que nasce LIBERTARTE, O BANDO DA ARTE LIVRE, com um único objetivo: atingir o ser humano, no mais amplo sentido que esta palavra pode ter. Muito além de um grupo de estudos, nós, do Libertarte, queremos mergulhar profundamente nesse maravilhoso mar de mistérios que é o ser-humano: estudá-lo, compreendê-lo, vivê-lo, amá-lo e, por fim, dedicar o resultado final da nossa arte à ele. 
Antes de atores, cantores, pintores, produtores, músicos... Antes de qualquer outra coisa, é isto que nós somos. Humanos. E é nesta condição que queremos construir a nossa arte, através da troca de experiências - aprofundando-nos em cada uma delas -, visando sempre vencer nossos nojos e nossos medos e quebrar todo e qualquer tipo de paradigma. 
Mais do que "A arte pela arte", o Libertarte propõe a arte pelo humano e para o humano. A arte livre. Espontânea. Natural. Sem nenhuma obrigação de ser o que não é - ou simplesmente o que não quer ser. 
Aqui se inicia a nossa batalha. Por um mundo mais justo, por seres humanos melhores e por artistas mais dignos. 
E, por favor, que não desistamos! Que, em momento algum, nos conformemos com o conformismo.

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